Adiar o cadáver

 

... Acontece que na mesma rua existe uma casa onde se come que é um regalo.

A decoração é a típica de um snack-bar. Remodelado recentemente, a sala é dominada pelo verde e branco. À entrada uma sugestiva montra de carnes e peixes fresquinhos provoca-nos.

A recepção e atendimento são gentilíssimos. A lista de vinhos não é extensa mas cumpre os mínimos. Rissóis, bolinhos de bacalhau e chamuças são entretém imediato. Mas, no caso de quererem evitar os perigosos fritos, sugiro de entrada umas competentes amêijoas à bolhão pato (€ 10,50). Para prato principal, conhecendo a costela transmontana dos proprietários e a oferta de excepcional carne de origem barrosã, não há que hesitar. São várias as opções disponíveis para duas pessoas e todas de surpreendente qualidade: espetada transmontana (€ 19,50), posta de vitela à grelhador (€ 19) e o bife especial com gambas (€ 20,50). Opto pela última. A carne parece manteiga, mas o que a distingue mesmo é o sabor e textura que me remetem para memoráveis repastos em Trás-os-Montes. Os camarões que a acompanham são fresquíssimos e uma combinação perfeita. Uma mousse de chocolate caseira encerra o banquete em beleza.

 

Dizia Fernando Pessoa que o homem é um cadáver adiado. Esta casa é um positivo contributo para esse adiamento.

Fonte retirada de "http://comerfalar.blogspot.pt/2012_03_01_archive.html"